Hoje tem joia rara no Cine Blooks. Xarabovalha é o documentário que Heloísa Buarque de Hollanda fez da última apresentação da peça Trate-me Leão, do Asdrubal Trouxe o Trombone (com direção de Hamilton Vaz Pereira), no Teatro Ipanema em 1978. Aquilo era uma celebração das coisas da vida e aqui temos um doce registro. É uma viagem no tempo que, afinal, nos traz aos dias de hoje porque tudo ali é atual, é agora. Porque é um salto para frente, para fora daqueles sistemas, chegou até nós e vai além.
Um livro que reune Franz Kafka e Robert Crumb, não necessariamente nessa ordem, merece atenção e respeito. Numa mistura de biografia e adaptação Kafka de Crumb (Desiderata) traz dois labirintos se encontrando ao longo do texto simples e bem escrito de David Mairowitz sobre a vida de Kafka. O livro não é exatamente uma história em quadrinhos, mas uma história feita de quadros e de relances que lançam alguma luz, uma estranha luz, sobre Kafka. O ouro desse pacote são as adaptações de textos como Um artista da fome e o impressionante O castelo.
Não sou expert em quadrinhos mas sei que Crumb é um gênio, dono de uma história polêmica e uma obra cheia de uma energia louca e desafiadora. Não posso tecer parágrafos e análises críticas sobre o tema mas me deliciei dentro de um avião, rumo ao Recife, com as páginas desse belo trabalho. Também não fui um grande leitor de Kafka. É uma das minhas vergonhosas dívidas com a literatura e ler esse livro deu uma aliviada nela. Kafka é bom, muito bom, e acompanhado de Crumb… não poderia ser melhor.
Livros assim a gente costuma achar que são para iniciados, mas não… servem para iniciar também, no universo vasto de Kafka e no intrincado e corrosivo mundo de Crumb. Mas esses adjetivos não servem para muita coisa. Esses dois sujeitos risonhos da ilustração fizeram um livro que traz Kafka pra perto, pra dentro e fazem da arte, da literatura, essa coisa lúcida que rejeita adjetivos e resenhas críticas (ou nem tão críticas, como essa). Então, coloque Kafka de Crumb na bagagem da sua viagem e lembre-se que viagens assim não tem volta!
De quebra, para vocês, um quase Cine Blooks com Crumb…
ps: para completar o prefácio é do allan sieber, outro cara genial!
ps outra vez: outro grande encontro com Kafka fora dos seus livros, o filme O processo, de Orson Welles, de 1962.
A música é uma das paixões dos argentinos e ela se reflete na juventude na forma de dezenas de bandas de rock, criando uma das cenas musicais mais animadas do planeta. Não é a toa que a edição local da revista “Rolling Stone” é uma das mais interessantes superando em conteúdo, até recentemente, a versão espanhola.
Los Fabulosos Cadillacs
Uma das notas mais queridas neste cenário foi a volta, no final de 2008, dos Los Fabulosos Cadillacs (LFC). Após sua separação em 2002, por problemas de drogas de boa parte dos integrantes da banda, o grupo liderado pelo cantor Vicentico (com sua voz inconfundível de cantor de salsa) e pelo baixista Señor Flávio (quase sempre usando uma máscara de lutador ou de bandido) retomaram a vontade de tocar juntos lançando o álbum La Luz Del Ritmo.
Em seguida diversas bandas do continente (entre eles, Aterciopelados, Cartel de Santa, Los Pericos e o cantor Andrés Calamaro) organizaram Vos Sabes… Como Te Esperaba!, um disco tributo que joga a bola para cima nas releituras animadas e com uma produção super afinada. Escute a faixa El Satânico Dr. Cadillac na versão dos Los Pericos:
Os shows pela América Latina foram tantos e tão cheios que isto estimulou a gravação de um novo disco em menos de 1 ano, no final de 2009: “El Arte de La Elegância de LFC”.
El arte de la elegancia: LFC
É um disco sensacional, onde o peso new wave é maior e incluí uma regravação do clássico “Vamos Ya! (Move on Up!)” de Curtis Mayfield. Além disso, traz um DVD extra com a execução das músicas em estúdio. Veja o clipe de “Vamos Ya!”:
Vamos torcer que os Fabulosos venham tocar aqui nos nossas plagas cariocas trazendo sua energia positiva e vibrante!
_____________________________
Os DJs Brant e Jorge LZ apresentam o programa Geleia Moderna, todo sábado, ao vivo, às 17h, na rádio Roquette Pinto (94,1 FM), que você pode ouvir em versão podcast. E leia a coluna Enquanto isso no Geleia Moderna, toda semana na Blooks.