Arquivo: março 2010

Um chamado para Ágata

Universo Blooks | Por Toinho Castro em 31.03.2010
O outono estava lá dentro...

O outono estava lá dentro...

Temos uma história para ser contada, a história de Ágata. É uma história que mal começou, que procura um fio da meada e não quer cair no vazio. Ágata encontrou um livro na rua, mas o livro escapou das suas mãos e agora não sabemos se ela vai segui-lo ou se ela vai dar as costas a ele e seguir o rumo da calçada. Existe uma porta aberta pela qual Ágata ainda não passou e está nas suas mãos, prezado leitor, a solução desse enigma. Ou a responsabilidade de torná-lo um enigma ainda maior!

Vá até lá, vá até a calçada em que Ágata está e se coloque no lugar dela. escreva a continuação possível, ou impossível dessa história. Alguns aventureiros já escreveram suas idéias já conduziram nossa heroína por ali ou por aqui.

Não permita, leitor, que por timidez ou uma suposta falta de criatividade, a história de Ágata fique sem um final, sem solução. Ágata espera diante da porta pela sua decisão de escrever, pela sua decisão de se tornar escritor… Nem que seja por cinco minutos. Como a rainha do jogo de xadrez, Ágata é uma personagem que você pode mover em qualquer direção. Conte até três, respire fundo e clique aqui… É um clique que vai te levar direto para o mundo de Ágata. Participe! Escreva, é um convite.

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Dica do Fábio: Precisamos falar sobre o Kevin

Com exceção de livros policiais, todos os tipos de livro passam pelas mãos de Fábio Correia – e não é porque ele trabalha na Blooks. Designer por formação, Fábio é leitor por prazer. É dele a dica desta semana, o livro Precisamos falar sobre o Kevin (Editora Intrínseca), uma história cheia de suspense. Confira:

Como sempre acontece comigo fui fisgado pela capa. Uma capa que chama muito mais atenção que o próprio título do livro (Precisamos falar sobre o Kevin). Um corpo infantil encimado por uma cabeça felina, assustadoramente desproporcional e sedutora, nos prepara para adentrarmos em um mundo aterrorizante: a mente fria e calculista de um psicopata de apenas 16 anos.

Capa de Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Capa do thriller Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver

O que fez dele um assassino? Nada.

Kevin Khatchadourian é bem nascido, os pais são bem sucedidos, wlw teve uma criação privilegiada, não sofreu abuso na infância, nem perseguições na escola… Nada justificaria a sua verve destruidora.

E é justamente nesse ponto que está embutida toda a genialidade da escritora Lionel Shriver.

Ela nos conduz de mãos dadas à mente desse adolescente sem o menor julgamento de valores. Simplesmente conta uma história fascinante, rica em detalhes de como funciona uma mente assassina, o porquê de sua vingança contra um mundo no qual ele nunca se sentiu à vontade e quer destruir, com toda sua astúcia e extrema inteligência. Nem que para isso ele precise aniquilar sua própria família.

Um thriller psicológico refinado e aterrorizante faz deste livro uma pequena jóia da literatura norte-americana da atualidade.

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O livro está entre nós

Universo Blooks | Por Toinho Castro em 29.03.2010
o último livro

Ainda há livros para muitas gerações

Andam dizendo que o livro vai acabar. Há quem diga que já acaba tarde, que nunca deveria ter sido inventado. Ouvi dizer que não será mais necessário queimar livros, bastará apagar o arquivo. Indolor. Dizem que com os livros digitais não há problema de armazenamento, bibliotecas inteiras caberiam em chips diminutos, em telefones celulares. Isso é preocupação de quem armazena livros, não de quem os tem e os lê.

O que é um livro? Um objeto que serve de veículo para a escrita… Tão somente. Será? Li em algum lugar que o Corão é anterior ao mundo e um dos atributos de Deus. Quando dizemos que um livro é sagrado ou que ele é um clássico, estamos nos referindo a que, exatamente? Uma Bíblia num Kindle é tão sagrada quando os volumes com letras douradas na capa de couro? Outro dia vi uma Bíblia da Enciclopédia Barsa para vender numa calçada… Em que estado estaria um leitor eletrônico vendido na calçada?

Não tenho nada contra leitores eletrônicos… O que eu poderia ter contra eles? Mas sem dúvida eles são leitores eletrônicos… O leitor não sou mais eu. Tem alguém ali dentro que lê o livro antes de mim, que lê o livro para mim. Que conta as palavras, seleciona, localiza… Tudo para facilitar a leitura. Como se a leitura tivesse que ser fácil. Aliás, o que estou a chamar de livro? Memórias póstumas de Brás Cubas dentro algum outro suporte eletrônico, ainda é um livro? Ou simplesmente uma história?

Umberto Eco disse recentemente numa entrevista que o livro é como a roda. Uma invenção consolidada, nas palavras dele. Não há como detê-la. Talvez escape dos arautos do seu fim. Talvez eles desapareçam antes dos livros. Mas mesmo que parem de produzir livros amanhã, ainda teremos que conviver com eles por muitos anos, por séculos, possivelmente. Para muito além das baterias e displays um após o outro, falhando. Haverá sempre quem os abra. E leia.

ps. livros são bonitos.

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