O livro está entre nós
mar 29th, 2010 | Autor Toinho Castro | Categoria: Universo Blooks
Ainda há livros para muitas gerações
Andam dizendo que o livro vai acabar. Há quem diga que já acaba tarde, que nunca deveria ter sido inventado. Ouvi dizer que não será mais necessário queimar livros, bastará apagar o arquivo. Indolor. Dizem que com os livros digitais não há problema de armazenamento, bibliotecas inteiras caberiam em chips diminutos, em telefones celulares. Isso é preocupação de quem armazena livros, não de quem os tem e os lê.
O que é um livro? Um objeto que serve de veículo para a escrita… Tão somente. Será? Li em algum lugar que o Corão é anterior ao mundo e um dos atributos de Deus. Quando dizemos que um livro é sagrado ou que ele é um clássico, estamos nos referindo a que, exatamente? Uma Bíblia num Kindle é tão sagrada quando os volumes com letras douradas na capa de couro? Outro dia vi uma Bíblia da Enciclopédia Barsa para vender numa calçada… Em que estado estaria um leitor eletrônico vendido na calçada?
Não tenho nada contra leitores eletrônicos… O que eu poderia ter contra eles? Mas sem dúvida eles são leitores eletrônicos… O leitor não sou mais eu. Tem alguém ali dentro que lê o livro antes de mim, que lê o livro para mim. Que conta as palavras, seleciona, localiza… Tudo para facilitar a leitura. Como se a leitura tivesse que ser fácil. Aliás, o que estou a chamar de livro? Memórias póstumas de Brás Cubas dentro algum outro suporte eletrônico, ainda é um livro? Ou simplesmente uma história?
Umberto Eco disse recentemente numa entrevista que o livro é como a roda. Uma invenção consolidada, nas palavras dele. Não há como detê-la. Talvez escape dos arautos do seu fim. Talvez eles desapareçam antes dos livros. Mas mesmo que parem de produzir livros amanhã, ainda teremos que conviver com eles por muitos anos, por séculos, possivelmente. Para muito além das baterias e displays um após o outro, falhando. Haverá sempre quem os abra. E leia.
ps. livros são bonitos.




É isso. Livros são bonitos demais e eu não-tro-co.
Livros são bonitos. E cheiram. E guardam flores e lembranças. E podem ser dedicados, e guardam as carícias de quem os amou.