A mão esquerda da escuridão
ago 9th, 2010 | Autor Toinho Castro | Categoria: Dica Blooks, Spaceblooks
Estou lendo esse livro primoroso, A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin, graças ao amigo Bráulio Tavares, que o recomendou fortemente no debate do qual participou por ocasião do Spaceblooks, aqui na Blooks. Bráulio, fico devendo essa. O livro é belíssimo e me empolgou como poucos que tenho lido ultimamente. Na verdade tenho lido um pouco sem vontade e esse livro me deu novamente aquela sensação boa da leitura, meio apego, não querer largar.
Diz que ele se encaixa nessa categoria chamada ficção científica, por se passar num outro planeta e noutro tempo distante do nosso. Por falar de viagens espaciais e por ter personagens com nomes estranhos. Os nomes dos habitantes de outros planetas são sempre estranhos e difíceis de guardar. Volta e meia preciso puxar da memória para lembrar que aquele monte de consoantes e tal personagem e não outro. Mas tirando essas peculiaridades que servem para colocar o livro numa determinada prateleira da livraria, posso dizer sem medo que trata-se de um drama humano, sob uma perspectiva humana, de gente que parou para refletir sobre o que é essa vida desabando e se espalhando sobre qualquer planeta.
O núcleo do livro é o seguinte, um visitante, um enviado de uma comunidade planetária visita um mundo chamado, por eles mesmos, de Inverno. A missão do enviado é convidar esse planeta, que nunca antes entrara em contato com seres de outras esferas, a participar dessa comunidade de povos siderais. Os habitantes de inverno são, como os outros membros dessa aliança, descedentes de uma antiga migração humana que colonizou vários mundo na galáxia, mas com uma pequena e crucial diferença: são hermafroditas. Só se é homem ou mulher, fêmea ou macho, durante o período do cio. Alguém que foi homem no último cio pode muito bem ser mulher no próximo e até engravidar.
Esse detalhe carrega o enviado, e a nós, através de Inverno num novo aprendizado sobre a natureza humana e sobre a miríade de ideias preconcebidas que arrastamos atrás de nós por gerações sobre a percepção de si mesmo e do outro.
O livro é lindo, delicado, e sua narrativa segura nossa mão, não nos abandona. Bráulio Tavares sabia o que estava fazendo quando recomendou esse livro para a platéia do Spaceblooks. Sabia que precisamos refletir sobre essas certezas que temos a respeito daquilo que somos. Sabia que os livros ditos de ficção científica estão clamando para serem encarados fora desse enquadramento. Agora eu recomendo, segure a mão esquerda da escuridão e adentre o universo de Inverno.
PS. agora esse post vai virar quase um Cine Blooks, com a entrevista com a autora que eu encontrei na web. Com vocês, Ursula K. Le Guin.



