Confissões, de Santo Agostinho

Cá estou em terras recifenses, terra de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Na verdade estou bem perto do Capibaribe, rio que João Cabral celebrou no seu poema Um cão sem plumas e em tantos outros poemas. Recentemente reli Estrela da vida inteira, de Manuel Bandeira… livro que ainda me emociona pela sua evocação de um um recife perdido no passado, na memória do poeta

Recife…
Rua da União…
A casa de meu avô…
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife…
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom,
Recife brasileiro como a casa de meu avô.

(trecho de Evocação do Recife)

Mas hoje, no Recife, encontro-me a ler as Confissões, de Santo Agostinho. Tenho certeza que Bandeira e João Cabral também o leram. Assim como outros grandes escritores que admiro; Jorge Luis Borges, por exemplo. Então há tempos eu vinha com essa dúvida junto à filosofia cristã de Santo Agostinho. Outro dia encontrei o livro na Blooks numa ótima edição de bolso da editora Vozes, numa coleção apropriadamente chamada Vozes de Bolso.

Comecei a ler o livro no avião rumo a Pernambuco e assim como o avião mergulhou para aterrisar eu mergulhei nas palavras de Agostinho, que começa suas confissões a invocar e pensar a presença de Deus no mundo e no homem. A tentar compreender o que siginifica essa presença que está em tudo, que a tudo emana. Onde está aquele que está em toda parte?

E como invocarei o meu Deus – meu Deus e meu Senhor – se, ao invocá-lo, o invoco sem dúvida de dentro de mim? E que lugar há em mim, para onde venha o meu Deus, para onde possa descer o Deus que fez o céu e a terra? Pois será possível – Senhor meu Deus – que se oculte em mim alguma coisa que vos possa conter? É verdade que o céu e a terra que criaste e no meio do quais me criaste vos encerram?

Ler o livro é acompanhar a jornada de Agostinho, seu encontro com a fé. No caso a fé cristã. Mas acredito, pelo que venho lendo que o livro possa trazer luzes a qualquer um que esteja empenhado em sua busca pessoal. Aliás a coleção Vozes de Bolso é muito boa quando se trata de buscas. Os autores passam por Kierkegaard, Nietzsche e outros tantos que se debruçara sobre esse fenômeno curioso que é o estar no mundo.

Sigo na leituras das Confissões, a criação, a presença de Deus, o tempo, esse enigma, as tentações e a busca constante pelas respostas. Provavelmente a resposta que cada um encontra só serve para si próprio e por isso Santo Agostinho fala de toda sua trajetória, porque se há algo que talvez nos interesse é justo nessa procura.

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