6 de novembro de 2009

E Robert Crumb recriou o Gênesis

O primeiro livro da Bíblia já teve ilustrações dos mais diversos artistas. Nenhuma foi mais inusitada do que Gênesis, por Robert Crumb. O grande cabeça dos quadrinhos alternativos levou nada mais nada menos que quatro anos para terminar a obra, traduzida para seis línguas e com lançamento mundial este mês – incluindo o Brasil.

Na introdução, a editora Françoise Mouly, diz: “Crumb, que é ateu, respeitou religiosamente - com o perdão do trocadilho - as palavras do Gênesis”. Na Inglaterra, a obra causou polêmica antes mesmo de chegar às livrarias. Motivo: as representações de personagens bíblicos nus ou em atos sexuais. No Brasil, a editora Conrad tomou precauções: que a capa da edição brasileira é mais "sóbria”, "por temor à reação dos religiosos fundamentalistas do Brasil", segundo Lora Fountain, agente literária de Crumb, no jornal Zero Hora.

Numa entrevista ao site Banca de Quadrinhos, Rogério de Campos, diretor editorial da Conrad, diz que Gênesis não é só “o quadrinho mais importante do ano, mas o livro mais importante do ano”. E lembra que há dois anos, quando o livro ainda estava sendo feito, a revista Time dedicou ao livro uma reportagem de duas páginas à obra, tamanha a importância de Gênesis.

“Foi o maior projeto que já fiz. Pesquisei muito, fui detalhista. Cada página me tomou dois ou três dias, e eram mais de 200 páginas”, explicou o próprio Crumb, à Folha de S. Paulo, em setembro.

A expectativa pela chegada de Gênesis às livrarias do mundo gerou alguns vídeos no youtube. Um deles, mostra o livro na gráfica. Noutro, um leitor de primeira hora, folheia a edição americana.

Além dos Estados Unidos, o Brasil é o único país fora da Europa a ter edição própria do livro, de acordo com Rogério de Campos, da Conrad. Você pode encontrar Gênesis na Blooks Livraria – é claro. Gênesis, de Robert Crumb, lançado pela editora Conrad, custa R$ 49,90.

Mais sobre Robert Crumb

O artista americano tem a marca carimbada no traço sujo e formas grotescasm e parte de sua bagagem vem da contracultura americana. Sua obra, vasta, tem público cativo e admiração da crítica, coisa rara. O primeiro trabalho de Crumb foi um gibi artesanal, Zap Comix, artigo de colecionador, que era vendido nas ruas de São Francisco, por ele e a mulher grávida, carregando os gibis num carrinho de bebê. A obra de maior notoriedade foi a tira de quadrinhos Fritz the cat, que serviu como base do filme homônimo de animação, de 72.

No Brasil, os quadrinhos de Crumb foram publicados na década de 70, na revista Grilo, e nos anos 80, nas revistas Circo e Porrada. Atualmente, as obras estão sendo editadas pela Editora Conrad.
Crumb foi retratado recentemente no filme American Splendor, lançado aqui com o título de Anti-herói americano, baseado nos livros de quadrinhos autobiográficos de Harvey Pecar, amigo de Crumb. No filme, fica bem clara a influência de Crumb como mola propulsora para Pecar correr atrás do sucesso.

Confira o site oficial do artista e assista ao vídeo 8 ½ minutos com Crumb.

Volta ao mundo em vários quadrinhos

Humor, terror, heróis superpoderosos em traços de vários lugares do mundo: confira histórias produzidas por argentinos, brasileiros, italianos, gregos – tudo junto e misturado, e muito bem feito, evidentemente. Confira a seleção:

Macanudo #2, de Liniers. Com 10 livros publicados, o argentino Liniers é um grande sucesso de vendas na Argentina, com edições em francês e inglês. Em 2009, começou a ser publicado no Brasil diariamente na Folha de São Paulo e ganhou o troféu HQ Mix, o mais importante prêmio brasileiro de quadrinhos. Agora a editora Zarabatana Books lança Macanudo #2, edição especial com coletânea de tirinhas publicadas entre 2003/2004, no jornal argentino La Nación. Nela, estão personagens um tanto sui generis de Liniers, como: Os Duendes, O Misterioso Homem de Preto, Z-25, Henriqueta e a Vaca Cinéfila. As histórias do artista, que além de desenhar também as escreve, são recheadas com humor, críticas de costumes, nonsense, poesia, seguindo a mesma linha dos conterrâneos Quino e Maitena.

Conheça mais sobre o artista e sua obra no vídeo Liniers em Lima.

Macanudo #2, lançado pela Zarabatana Books, custa R$35,00.

The Umbrella Academy: Suíte do apocalipse, de Gerard Way, ilustração Gabriel Bá. Imagine a seguinte história: de forma inexplicável, 47 crianças com superpoderes nascem simultaneamente de mulheres que não estavam grávidas e nem possuíam qualquer conexão aparente entre si. É esta a viagem nas 192 páginas do livro, escrito pelo vocalista da banda My Chemical Romance, que faz grande sucesso entre os adolescentes. Autor das ilustrações, o paulistano Gabriel Bá está entre os talentos mais promissores do cenário internacional e em 2008 foi indicado ao prêmio de melhor artista no Scream e no The Harvey Awards. Para dar uma espiada nos desenhos de The Umbrella Academy, assista ao vídeo.

The Umbrella Academy: Suíte do apocalipse, lançado pela Devir, custa R$34,00.

Pixu, de Vasilis Lolo, Fabio Moon, Gabriel Bá, Becky Cloonan. Com tiragem limitada, essa minissérie independente é uma pequena história de terror, contada por um time de feras: os irmãos brasileiros Bá e Moon, a italiana Becky Cloonan e o grego Vasilis Lolos. Os quatro dividiram a tarefa de escrever e desenhar a trama: estranhas marcas aparecem nas paredes de um sobrado. Uma série de eventos promete abalar de vez a paz das pessoas que vivem por lá. O grande destaque vai para o desenho, com expressões faciais carregadas e utilização de muitas sombras, criando um clima tenso e sombrio e ausência de cores realça a crueza da história.
Pixu, lançado pela Devir, custa R$18,50.

Dica Blooks: lembra da Mosh? Acabou. Mas a Blooks tem

Para quem nunca ouvir, “dar um mosh” significa mergulhar do palco na platéia. Coisa comum nos shows de rock, a expressão batizou a revista com histórias em quadrinhos que tinham como cenário o mundo do rock, com seus dramas girando em torno de sexo, birita e rock and roll.


Tudo começou em 2003, com edição bimestral feita pelos editores Renato Lima e S. Lobo. Na época, a Mosh era vendida em points alternativos da cena carioca, como Bunker, Snake Pit, Baratos da Ribeiro e outras mais. A revista serviu como meio de divulgação para bandas da cena alternativa (como Autoramas, Jimi James, Pixies, Matanza e Dead Fish) e também para o trabalho de diversos desenhistas, entre eles Vinicios Mitchell e Fábio Monstro.


Em 2006, a Mosh chegou à 12ª edição, foi vencedora do prêmio 18° HQ Mix, na categoria Publicação, e como acontece com muita freqüência no mundo do rock, teve seu fatídico fim devido a divergências criativas na equipe.
Se a sua coleção ficou incompleta, anime-se: apesar de a publicação não estar mais sendo editada, a Blooks Livraria tem vários números antigos da Mosh. Fica a dica! Venha conferir.


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