La Fontaine e as fábulas

Opinião | Por Toinho Castro em 08.07.2010

La Fontaine Hoje, 8 de julho, é o aniversário de nascimento de La Fontaine (8 de julho de 1621 – 3 de abril de 1695), escritor francês que nos seu livro das Fábulas. É curioso pensar que La Fontaine é uma das primeiras figuras das nossas vidas. Mal começamos a entender o mundo, ou a perceber que nunca vamos compreendê-lo,  e as suas fábulas nos chegam aos ouvidos na cadência da voz de uma mãe ou um pai que senta-se dedicado ao lado da cama, ou com a gente no colo.

Li na Wikipédia (onde mais?) que Jean de La Fontaine era filho de um inspetor de águas e florestas. Veja bem, águas e florestas, esses elementos mágicos, carregados de simbolismos.  Ouvi muito suas fábulas e demorei demais na minha vida até pegar o livro, com aquelas ilustrações clássicas, para ler. Não é a mesma coisa, não pode ser. É preciso ler para alguém, a gente é somente um veículo, como o foi La Fontaine, recontando coisas que aprendeu com Esopo.

Estamos aqui e o mundo anda muito mudado. Eu sei que o mesmo poderia ter sido cem anos atrás, mas hoje somos nós que percebemos a mudança. Às vezes parece que as pessoas não andam lendo fábulas para seus filhos e já não há, talvez, espaço para histórias morais. Mas basta olhar em volta que lá estão as pessoas fazendo o que ele também fez, adaptando essas fábulas às novas dimensões da vida moderna. As pessoas não deixam de contar histórias e muitas das mesmas histórias tem sido contadas, aumentando ou tirando um ponto. Não precisamos mais daquelas lições morais e a cigarra pode aprender com a formiga como a formiga pode aprender com a cigarra e todos acabam por participar de algum final feliz.

Ainda há coisas há aprender, no fim das contas, e é incrível como aquelas mesmas fábulas ainda podem conter, sim, uma lição a ser escutada. Incrível como às vezes é tão simples e algo em nós se ilumina ao lê-las. Você vai encontrar nas livrarias algum livro de La Fontaine… não lembro de ter tido um na minha casa quando eu era criança, mas as fábulas estavam lá, as fábulas de La Fontaine, como dizia minha mãe. Eram elas e o livro devia ser apenas como uma fonte, que as jorrava para o mundo de algum lugar secreto.

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Espionagem nonsense

DVD, Dica Blooks | Por Toinho Castro em 07.07.2010

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O Magnífico
(França-Itália, 1973), com Jean-Paul Belmondo é pura Sessão Coruja e nostalgia. Para quem não sabe, não lembra ou finge que esqueceu, a Sessão Coruja era o alento dos insones e esse filme dirigo por Philippe de Broca era um hit. Posso estar até misturando as coisas ou sessões, mas o fato é que pude assistí-lo muitas vezes e me divertir com a história de François (Jean-Paul Belmondo), escritor de histórias de espionagem que redime sua realidade medíocre fantasiando aventuras na pele de Bob Saint-Clair (ou Sinclair), seu persongem super-espião-heróico.

No meio de uma crise criativa e financeira aparece-lhe ninguém menos que Jacqueli Bisset, vivendo Christine, uma estudante que, não se algum sarcasmo, dedica-se a estudar-lhe a obra, se é que podemos chamar suas histórias baratas de obra, ou mesmo simplesmente literatura. É claro que nosso anti-herói se apaixona por Christine e ela acaba por se tornar, nos seus devaneios literários… Tatiana, espiã a quem ele pretende salvar juntamente com o mundo, naturalmente. Irônico e divertido.

As aventuras de François/Bob Saint-Clair para conquistar-salvar-resgatar sua amada são mirabolantes e jogam a gente num carrossel em que fica difícil distinguir ficção da realidade dentro da ficção, porque todas as possibilidades são absurdas e, por isso, cômicas. Tiros para todo lado, tentativas de assassinato sem qualquer sentido, sangue, amor e numa paródia para 007 nenhum botar defeito. É um filminho (no bom sentido) que não fica velho. Vale a muito a pena e nem precisa esperar pelas madrugadas televisivas. Lançado em DVD pela série Cult Classics, O magnífico já pode ornar sua estante ou ser deixado num canto estratégico da sala para impressionar as visitas mais sensíveis.

Abaixo, um trailer de O Magnífico, para dar um gostinho.


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O dia em que o código de barras virou arte

Sem categoria | Por anasoul21 em 06.07.2010

A gente não quer só comida. A gente quer saber de onde ela vem e qual foi o percurso que fez até chegar à prateleira do supermercado. Antes de parar na bandeja, numa asséptica prateleira gelada, onde pastava esse boi?

Esse assunto está pipocando na imprensa e tem sido cada vez mais recorrentes reportagens que falam sobre a “rastreabilidade” dos alimentos que chegam aos supermercados. São informações diversas contidas em códigos de barra mais inteligentes que aqueles que simplesmente marcam o preço de um item. Bidemensionais, os códigos atuais são capazes de carregar muito mais informações… e arte!

E é isso o que interessa neste post!

Na terça-feira, 29 de junho, fui ouvir a professora e artista digital (ela é mais do que isso, na verdade) Giselle Beiguelmann no Pólo de Cultura Digital da UFRJ, um grupo liderado pela professora Heloisa Buarque de Hollanda do qual faço parte e que tem se debruçado sobre esses temas da nossa vida contemporânea – e cada vez mais digital.

Já tinha ouvido Giselle outras vezes – e é sempre instigante o que ela tem a dizer. Dessa vez, ela veio com as pesquisas sobre o QR-Code, Quick Response Code, que ela chama de tatuagem urbana e que vem a ser o tal código de barras bidemensional, que consegue guardar um volume maior de informações, sejam elas referentes à origem da carne ou qualquer outro item de supermercado, passando por elaborados trabalhos de arte ou até mesmo esse texto que fala sobre a Blooks:

qrcode

Se você apontar um celular para a imagem acima vai ler o que está escrito em português claríssimo.

O QR-Code funciona assim: são marcadores como os da realidade aumentada, “lidos” através de câmeras de celulares, que precisam de um programinnha (free) capaz de interpretar esses símbolos.

O texto em português – ou qualquer outro idioma – é convertido para o QR-Code através de um conversor também facilmente encontrável na web (para fazer a imagem deste post foi utilizado este).

Aqui é apenas uma brincadeira de neófitos, mas por aí há gente fazendo coisas incríveis com esse código, como o designer André Vallias, que fez uma versão codificada de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que pode ser conferida no vídeo postado no Youtube:

A própria Giselle fez em Buenos Aires uma exposição com o também artista Maurício Fleury, utilizando o QR-Code, que não só trazia as belas imagens geradas aleatoriamente pela ferramenta, como associava a elas toques de celulares que, juntos, compunham uma sinfonia, dependendo do toque do espectador:

Giselle fala sobre a “inteligência distribuída entre interfaces móveis” e é neste meio que o QR-Code aparece, uma vez que se adapta perfeitamente ao nosso mundo apressado e abundante, em que as informações estão por aí à solta e a gente com cada vez menos tempo de parar para decifrá-las. Precisamos dela em trânsito! Aqui! Agora! No supermercado ou na estante de livros! Ou fazendo arte.

Vale conferir os trabalhos de Giselle Beiguelman, e ler o seu Livro depois do livro, um trabalho que já tem mais de 10 anos.

E só para terminar, um aviso: a Blooks ainda não tem QR-Codes espalhados pelas prateleiras, contendo informações ou arte. Ainda!

ps.: que tal descobrir o que está escrito no post anterior? Respostas podem ser deixadas nos comentários.

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