La Fontaine e as fábulas
Hoje, 8 de julho, é o aniversário de nascimento de La Fontaine (8 de julho de 1621 – 3 de abril de 1695), escritor francês que nos seu livro das Fábulas. É curioso pensar que La Fontaine é uma das primeiras figuras das nossas vidas. Mal começamos a entender o mundo, ou a perceber que nunca vamos compreendê-lo, e as suas fábulas nos chegam aos ouvidos na cadência da voz de uma mãe ou um pai que senta-se dedicado ao lado da cama, ou com a gente no colo.
Li na Wikipédia (onde mais?) que Jean de La Fontaine era filho de um inspetor de águas e florestas. Veja bem, águas e florestas, esses elementos mágicos, carregados de simbolismos. Ouvi muito suas fábulas e demorei demais na minha vida até pegar o livro, com aquelas ilustrações clássicas, para ler. Não é a mesma coisa, não pode ser. É preciso ler para alguém, a gente é somente um veículo, como o foi La Fontaine, recontando coisas que aprendeu com Esopo.
Estamos aqui e o mundo anda muito mudado. Eu sei que o mesmo poderia ter sido cem anos atrás, mas hoje somos nós que percebemos a mudança. Às vezes parece que as pessoas não andam lendo fábulas para seus filhos e já não há, talvez, espaço para histórias morais. Mas basta olhar em volta que lá estão as pessoas fazendo o que ele também fez, adaptando essas fábulas às novas dimensões da vida moderna. As pessoas não deixam de contar histórias e muitas das mesmas histórias tem sido contadas, aumentando ou tirando um ponto. Não precisamos mais daquelas lições morais e a cigarra pode aprender com a formiga como a formiga pode aprender com a cigarra e todos acabam por participar de algum final feliz.
Ainda há coisas há aprender, no fim das contas, e é incrível como aquelas mesmas fábulas ainda podem conter, sim, uma lição a ser escutada. Incrível como às vezes é tão simples e algo em nós se ilumina ao lê-las. Você vai encontrar nas livrarias algum livro de La Fontaine… não lembro de ter tido um na minha casa quando eu era criança, mas as fábulas estavam lá, as fábulas de La Fontaine, como dizia minha mãe. Eram elas e o livro devia ser apenas como uma fonte, que as jorrava para o mundo de algum lugar secreto.
