O dia em que o código de barras virou arte

Sem categoria | Por anasoul21 em 06.07.2010

A gente não quer só comida. A gente quer saber de onde ela vem e qual foi o percurso que fez até chegar à prateleira do supermercado. Antes de parar na bandeja, numa asséptica prateleira gelada, onde pastava esse boi?

Esse assunto está pipocando na imprensa e tem sido cada vez mais recorrentes reportagens que falam sobre a “rastreabilidade” dos alimentos que chegam aos supermercados. São informações diversas contidas em códigos de barra mais inteligentes que aqueles que simplesmente marcam o preço de um item. Bidemensionais, os códigos atuais são capazes de carregar muito mais informações… e arte!

E é isso o que interessa neste post!

Na terça-feira, 29 de junho, fui ouvir a professora e artista digital (ela é mais do que isso, na verdade) Giselle Beiguelmann no Pólo de Cultura Digital da UFRJ, um grupo liderado pela professora Heloisa Buarque de Hollanda do qual faço parte e que tem se debruçado sobre esses temas da nossa vida contemporânea – e cada vez mais digital.

Já tinha ouvido Giselle outras vezes – e é sempre instigante o que ela tem a dizer. Dessa vez, ela veio com as pesquisas sobre o QR-Code, Quick Response Code, que ela chama de tatuagem urbana e que vem a ser o tal código de barras bidemensional, que consegue guardar um volume maior de informações, sejam elas referentes à origem da carne ou qualquer outro item de supermercado, passando por elaborados trabalhos de arte ou até mesmo esse texto que fala sobre a Blooks:

qrcode

Se você apontar um celular para a imagem acima vai ler o que está escrito em português claríssimo.

O QR-Code funciona assim: são marcadores como os da realidade aumentada, “lidos” através de câmeras de celulares, que precisam de um programinnha (free) capaz de interpretar esses símbolos.

O texto em português – ou qualquer outro idioma – é convertido para o QR-Code através de um conversor também facilmente encontrável na web (para fazer a imagem deste post foi utilizado este).

Aqui é apenas uma brincadeira de neófitos, mas por aí há gente fazendo coisas incríveis com esse código, como o designer André Vallias, que fez uma versão codificada de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que pode ser conferida no vídeo postado no Youtube:

A própria Giselle fez em Buenos Aires uma exposição com o também artista Maurício Fleury, utilizando o QR-Code, que não só trazia as belas imagens geradas aleatoriamente pela ferramenta, como associava a elas toques de celulares que, juntos, compunham uma sinfonia, dependendo do toque do espectador:

Giselle fala sobre a “inteligência distribuída entre interfaces móveis” e é neste meio que o QR-Code aparece, uma vez que se adapta perfeitamente ao nosso mundo apressado e abundante, em que as informações estão por aí à solta e a gente com cada vez menos tempo de parar para decifrá-las. Precisamos dela em trânsito! Aqui! Agora! No supermercado ou na estante de livros! Ou fazendo arte.

Vale conferir os trabalhos de Giselle Beiguelman, e ler o seu Livro depois do livro, um trabalho que já tem mais de 10 anos.

E só para terminar, um aviso: a Blooks ainda não tem QR-Codes espalhados pelas prateleiras, contendo informações ou arte. Ainda!

ps.: que tal descobrir o que está escrito no post anterior? Respostas podem ser deixadas nos comentários.

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Cine Blooks: O poeta do castelo

Cine Blooks | Por Toinho Castro em 02.07.2010

No Cine Blooks de hoje, o poeta Manuel Bandeira pelas lentes do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, num belo momento do cinema brasileiro. O poeta do castelo foi filmado em 1959 e nos colaca diante de dois dos grandes nomes da nossa arte, dois dos que se debruçaram sobre esse país para compreendê-lo e traduzi-lo. Bom Cine Blooks para vocês…

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