Que dia é hoje? Bloomsday!

Universo Blooks | Por Toinho Castro em 16.06.2010

Tudo bem que é na Irlanda, mas hoje é feriado. É o Bloomsday. Diga-se, o único feriado no mundo que é dedicado a um livo (sem falar da Bíblia, claro) e esse livro é Ulisses, de James Joyce, marco da literatura contemporânea e desafio para muitos leitores que em vão tentaram atravessá-lo. Por que hoje e por que Ulisses? 16 de junho é o dia em que se desenrola a narrativa do livro, acompanhando seu personagem, Leopold Bloom, através de Dublin, capital irlandesa.

Assim os moradores de Dublin celebram sua cidade e a litaratura, lembrando ao mundo que Ulisses está nas estantes das livrarias e bibliotecas e que Dublin está imortalizada. Lembra também que literatura, por mais difícil que pareça, caso da leitura de Ulisses, está fortemente atrelada a vida que a gente vive. A prova é o Bloomsday, que já é comermorado em várias cidades do mundo, relembrando a trajetória e as vivências de Leopold Bloom num 16 de junho feito de palavras, muitas palavras.

Encontre um pub hoje e sinta-se meio irlandês e se não quiser desafiar as mais de 900 páginas do Ulisses, pegue outro livro de Joyce na prateleira que lá estará Dublin, sua Irlanda e, dentro disso tudo, o mundo. Como dizem por aí, se você quer ser universal, fale da sua aldeia.

Olha a listinha das obras de James Joyce para te orientar na Dublin imaginária que hoje reina sobre o mundo, falando de nós, por incrível que pareça, das nossas vidas comuns e plenas de literatura:

Música de Câmara (1907)
Dublinenses (1914)
Retrato do Artista Quando Jovem (1916)
Exilados (1918)
Ulisses (1922)
Pomas, um Tostão Cada (1927)
Finnegans Wake (1939)
Stephen Herói (precursor de Retrato do artista, escrito em 1904–06, publicado em 1944)
Giacomo Joyce (escrito em 1907, publicado 1968. a pequena história de amor desse livro se passa em Triste, Itália)

Capa da primeira edição de Ulisses, segundo a Wikipédia. Vai saber...

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Memórias, sonhos e inspirações na Escola Livre de Cinema, em Nova Iguaçu

Sem categoria | Por anasoul21 em 15.06.2010

Miguel Couto é um lugar distante. Um dos bairros de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a região é simples, o acesso por vezes parece que vai levar a uma zona rural, e o nome dali não costuma ser associado a nada muito criativo. Não tinha nenhuma ideia sobre Miguel Couto até o sábado, 12 de junho, quando passei o dia inteiro por lá, ouvindo histórias criativas, criadas e inventadas por pessoas das mais diferentes idades, profissões, religiões e aspirações, que estão se candidatando a uma vaga numa das próximas turmas da Escola Livre de Cinema, que funciona em Nova Iguaçu.

Fachada da Escola Livre de Cinema, em Nova Iguaçu

Fachada da Escola Livre de Cinema, em Nova Iguaçu

O projeto é uma dessas iniciativas que inspiram e dão um ânimo danado na gente. No sábado, além de conhecer a Escola, criada em 2007 e agora coordenada por Anderson Barbané, o que fomos fazer lá (ao todo, éramos 12 convidados) foi participar de uma banca examinadora, segunda parte do processo seletivo para novos alunos da Escola. Há 60 vagas. Se inscreveram mais de 400. No sábado, havia 120 para serem entrevistados, que tinham passado na etapa anterior, em que escreveram sobre memórias de seus bairros, a partir de um texto retirado do livro Guia Afetivo da Periferia (Editora Aeroplano), de Marcus Vinicius Faustini, um dos criadores da Escola e arregimentador da turma de avaliadores, que seguiu alegre na van até Miguel Couto.

Fomos divididos em três bancas com quatro integrantes cada, e o que assistimos ao longo do dia foi uma mostra de todo o potencial criativo que anda por aí, não importando se as condições para realizar as ideias são as ideais ou não. As pessoas sonham. E vão atrás de oportunidades que enxergam para realizar esses sonhos. Emocionante.

Na banca que integrei, havia muitos candidatos jovens, mas o grupo de pessoas maduras, que querem aprender a fazer cinema, rivalizava com os que estão começando a pensar no que fazer da vida. Havia gente da Baixada e também do subúrbio do Rio. Estudantes e profissionais de áreas bem diferentes. Pessoas com Mestrado e jovens do Ensino Médio. O mais novo tinha 14 anos, o mais velho passava dos 50. Todos querendo aprender a fazer roteiro, a entender da arte do cinema e dispostos a botar suas ideias em ação. Tinha queixa de falta de oportunidades, claro, mas ali não tinha ninguém fazendo pose de ‘coitadinho’. Ali havia pessoas criativas, enxergando arte na vida. Difícil seleção.

As histórias que os candidatos propunham são de uma riqueza impressionante. E não era raro a gente cair na tentação e querer saber mais da história deles: o que pensam, como chegaram ali, o que fariam se fizessem cinema… O tempo era curto, havia muita gente para ser entrevistada e estávamos o tempo todo de olho no relógio. Foi um dia intenso. E muitas das histórias que ouvimos podem até não vir a sair do papel, mas isso não diminui em nada a força delas – nem a de quem as cria.

Um pintor cenotécnico, que viu a profissão ir minguando, agora ganha a vida pintando paredes e resumiu: “Eu tenho que me manter, mas não posso parar de sonhar”. A rapper feminista, autora de um rap engajado sobre violência feminina, saiu de Minas para o Rio com o sonho de fazer cinema. Um estudante quer contar a história da avó, recém-falecida, que tinha um terreiro na Baixada e, considerada bruxa por uns, está sendo lembrada por muitos como um elo forte de ligação no bairro. Um garoto filho de pedreiro – que participava da seleção assim como os dois irmãos – reconhecia a ajuda da mãe, simples, no desenvolvimento da história que ele tinha criado e não sabia para onde levá-la… Um carteiro, que vê a diminuição o glamour de sua profissão com as mensagens eletrônicas tomando o lugar das antigas cartas, quer contar a história de um lugar na visão de colega que dá expediente no mesmo lugar, há mais de 30 anos.

Histórias de superação, preconceito, injustiça, amor, troca de sexo, ficção científica… Vi tudo isso (e muito mais) no sábado em que passei numa das salas da Escola Livre de Cinema, em Miguel Couto, ouvindo os candidatos defenderem sua entrada na escola 0800. A força deles foi contagiante. A garra, inspiradora. Vida longa à Escola!

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José Joffily na Blooks

Lançamentos | Por Blooks em 14.06.2010

Na quarta-feira passada o cineasta José Joffily esteve na Blooks para o lançamento do livro com os roteiros do seu mais recente trabalho, Olhos Azuis. Aproveitamos a ocasião e o sucesso do lançamento para ouvir de Joffily algumas palavras sobre seu filme.

Agora vejam o trailer de Olhos Azuis, que em cartaz aqui do lado, no Arteplex.

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