Geleia Moderna: ‘Handmade’, de Hindi Zahra

Logo Geleia ModernaComo combinamos, toda quarta-feira, os rapazes do Geleia Moderna, podcast de música mais bacana da web, escrevem aqui na Blooks. Esta semana, o DJ Jorge Lz faz as honras da casa a Hindi Zahra, na coluna Enquanto isso no Geleia Moderna… Confira abaixo – e não perca o Geleia Moderna todo sábado, às 17h, ao vivo, na rádio Roquette Pinto, ou em versão podcast.

A cantora Hindi Zahra

A cantora Hindi Zahra

Nascida no Marrocos e radicada na França, Hindi Zahra pode ser definida como descendente direta de dois dos maiores nomes do jazz e blues de todos os tempos: Billie Holiday e Django Reinhardt.

Handmade“, seu primeiro disco, é uma beleza do início ao fim. As canções, calcadas numa mistura de blues, folk e jazz americanos, ganham um contorno intrigante ao serem embaladas por ventos africanos e uma urbanidade parisiense. O mais curioso é que Hindi usa a simplicidade para construir um universo extremamente sofisticado.

Hindi Zahra

Capa do CD 'Handmade', de Hindi Zahra

Nestes tempos em que a cada dia aparecem vários artistas que certamente não passarão do primeiro disco, é uma pérola encontrar um talento como Hindi Zahra.

Neste vídeo, em que ela apresenta uma versão acústica de “Imik Si Mik” acompanhada pelo violão de Thomas Naïm, fica muito claro que é possível alcançar o “máximo” usando “muito pouco”…

DJ Jorge Lz

tags:
Nenhum comentário »

Modo de Ser: lançamento de Carmem Hanning na Blooks

Lançamentos | Por anasoul21 em 10.08.2010

Anote na agenda: na quinta, 12 de agosto, Carmem Hanning lança na Blooks Livraria seu livro de estreia, Modo de Ser, editado pela 7 Letras.

Convite de lançamento de 'Modo de Ser', livro de estreia de Carmem Hanning

É o primeiro livro de uma profunda conhecedora de livros, letras, autores, narrativas…. Professora de literatura, Carmem também orienta a produção literária de escritores e roteiristas, muitos deles conhecidos do público, outros ainda começando a se aventurar pelo ofício de escrever. Num caso ou noutro, Carmem está sempre por perto, como orientadora.

Agora, é a vez dela estrear e se entregar ao leitor.

“O que me levou a escrever foi, finalmente, a maior necessidade humana: a de expressão, neste caso, através do recurso da palavra, esta eterna ferramenta tão mágica quanto desafiadora, que tanto nos escapa quanto a nós se submete se nos dispomos a amá-la, aceitando sua imensidão e nosso limites”, diz ela, num bate-papo por email.

Curiosa e, como muitos, sempre flertando com essa vontade de me expressar usando as palavra, a ponto de fazer um livro, quis saber de Carmem se “escrever envolve mais coragem, técnica, inspiração ou desejo? Ou é tudo isso junto e mais um pouco?”.

Ela: ” é claro que a ficção exige uma retórica, e por isso o conhecimento acerca da estrutura ficcional é importante sim, sem que isso signifique abrir mão dos motivos que levam à “inspiração”, por conseguinte, ao desejo.  Quanto à coragem, creio que ela deve se submeter à humildade, que considero presente no entregar-se publicamente. Mesmo por que, como disse Cortázar, “a seta alcançará ou não o seu alvo”, independentemente do autor. Então, findo o trabalho, o melhor a fazer “é ir beber vinho com os amigos”.”

Fica aí o convite: beber vinho com Carmem Hanning, na Blooks Livraria, na quinta-feira 12 de agosto, dia do lançamento do livro de estreia dela, Modo de Ser, a partir das 19h.

A Blooks Livraria fica na Praia de Botafogo, 316, no Unibanco Arteplex.

tags:
Nenhum comentário »

A mão esquerda da escuridão

a mão esquerda da escuridãoEstou lendo esse livro primoroso, A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin, graças ao amigo Bráulio Tavares, que o recomendou fortemente no debate do qual participou por ocasião do Spaceblooks, aqui na Blooks. Bráulio, fico devendo essa. O livro é belíssimo e me empolgou como poucos que tenho lido ultimamente. Na verdade tenho lido um pouco sem vontade e esse livro me deu novamente aquela sensação boa da leitura, meio apego, não querer largar.

Diz que ele se encaixa nessa categoria chamada ficção científica, por se passar num outro planeta e noutro tempo distante do nosso. Por falar de viagens espaciais e por ter personagens com nomes estranhos. Os nomes dos habitantes de outros planetas são sempre estranhos e difíceis de guardar. Volta e meia preciso puxar da memória para lembrar que aquele monte de consoantes e tal personagem e não outro.  Mas tirando essas peculiaridades que servem para colocar o livro numa determinada prateleira da livraria, posso dizer sem medo que trata-se de um drama humano, sob uma perspectiva humana, de gente que parou para refletir sobre o que é essa vida desabando e se espalhando sobre qualquer planeta.

O núcleo do livro é o seguinte, um visitante, um enviado de uma comunidade planetária visita um mundo chamado, por eles mesmos, de Inverno. A missão do enviado é convidar esse planeta, que nunca antes entrara em contato com seres de outras esferas, a participar dessa comunidade de povos siderais. Os habitantes de inverno são, como os outros membros dessa aliança, descedentes de uma antiga migração humana que colonizou vários mundo na galáxia, mas com uma pequena e crucial diferença: são hermafroditas. Só se é homem ou mulher, fêmea ou macho, durante o período do cio. Alguém que foi homem no último cio pode muito bem ser mulher no próximo e até engravidar.

Esse detalhe carrega o enviado, e a nós, através de Inverno num novo aprendizado sobre a natureza humana e sobre a miríade de ideias preconcebidas que arrastamos atrás de nós por gerações sobre a percepção de si mesmo e do outro.

O livro é lindo, delicado, e sua narrativa segura nossa mão, não nos abandona. Bráulio Tavares sabia o que estava fazendo quando recomendou esse livro para a platéia do Spaceblooks. Sabia que precisamos refletir sobre essas certezas que temos a respeito daquilo que somos. Sabia que os livros ditos de ficção científica estão clamando para serem encarados fora desse enquadramento. Agora eu recomendo, segure a mão esquerda da escuridão e adentre o universo de Inverno.

PS. agora esse post vai virar quase um Cine Blooks, com a entrevista com a autora que eu encontrei na web. Com vocês, Ursula K. Le Guin.

tags:
Nenhum comentário »